Desde que o acordo entre a Arezzo e a Soma foi anunciado, temos apontado que os M&As no varejo nunca são fáceis, principalmente entre grandes players. As diferentes culturas, sistemas e marcas a serem integradas podem sempre significar que a captura de sinergias pode levar mais tempo. No entanto, gostamos dos fortes números da receita líquida da Azzas, bem como seus esforços para otimizar as despesas de SG&A em meio ao processo de integração entre a Arezzo e o Grupo Soma. Desde o início do processo de integração, o desempenho das ações tem sido ditado principalmente pelo fluxo de notícias sobre a fusão Arezzo-Grupo Soma e esperamos que continue assim (com sinais encorajadores após o 1T). Após resultados mais fortes do que o esperado no primeiro trimestre, aproveitamos a oportunidade para atualizar nossos números para a Azzas. Revisamos/aprimoramos nossas estimativas de EBITDA e lucro líquido para os próximos quatro anos em 2% e 3% para a Azzas, atingindo um preço-alvo de R$51 para 2025 (vs. R$49 anteriormente), com a empresa sendo negociada a múltiplos atraentes (mesmo após sua grande recuperação nos últimos dias), ainda oferecendo um ponto de entrada atraente para os investidores.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de AZZA3 (27/10/2026)
A Azzas 2154 afirmou à CVM que declarações sobre expansão internacional da Farm Rio, como entrada na Ásia e Austrália e abertura de lojas no exterior, não foram elaboradas, revisadas ou aprovadas pela companhia. A empresa reiterou que avalia alternativas estratégicas para a marca, mas sem decisão, proposta vinculante ou estrutura definida.
Análises de AZZA3 nos últimos 3 meses
A Azzas reportou 2T26 abaixo do esperado em receita e EBITDA, com receita bruta de R$3,35 bi (-7,4% a/a), receita líquida de R$2,7 bi (-8,2%) e EBITDA recorrente pós-IFRS16 de R$380 mi (-29%), pressionado por desalavancagem operacional, sobretudo em Calçados & Bolsas e Básicos/Hering; a margem bruta subiu 130 bps, para 57,2%, mas despesas recorrentes avançaram 5,3% e consumiram 43,3% da receita líquida. Por divisão, Calçados & Bolsas caiu 12,4%, Moda Feminina recuou 2,8%, Moda Masculina ficou estável e Básicos/Hering caiu 12,1%; o sell-out consolidado cedeu 1,9%, mas ficou praticamente estável sem Básicos, enquanto o sell-in caiu 13,6% com normalização de estoques em franquias e compras mais cautelosas no atacado. O principal contraponto positivo foi o caixa: o fluxo de caixa operacional somou R$357 mi, mais de 3x o 2T25, com conversão de 115% do EBITDA pré-IFRS16, e a geração após capex foi de R$280 mi, com melhora de 31 dias no ciclo financeiro ajustado e capex 18,9% menor. Em discussões setoriais posteriores, a companhia passou a enfatizar simplificação organizacional, foco em crescimento orgânico, eficiência e geração de caixa após reconhecer falhas na integração da fusão, mirando margem EBITDA em faixa de dois dígitos altos, abaixo do histórico de 16,5%–18%. O BTG também destacou que uma eventual transação envolvendo a Farm poderia direcionar recursos para desalavancagem. Em seguida, a companhia anunciou reorganização societária que separa os negócios e recria duas listadas independentes, com Hering migrando para a Arezzo&Co, Reserva para o Grupo Soma e a Farm em veículo próprio, movimento que tende a reduzir complexidade de governança e dar mais foco à alocação de capital. Em valuation, a ação foi mantida com compra e preço-alvo de R$40. Para investidores, recomenda-se acompanhar a execução da separação, a recuperação de sell-in em vestuário e calçados e a sustentação da geração de caixa em um ambiente ainda pressionado por juros altos, crédito restrito e concorrência mais intensa no varejo.
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