Os resultados do quarto trimestre da CVC mostraram tendências decentes nas reservas no Brasil e melhores sinais na frente de lucratividade, mas o fluxo de caixa foi um destaque negativo. Depois de atingir as mínimas em 2020 e 2021, a empresa se beneficia da recuperação da demanda de viagens, ao mesmo tempo em que explora suas fortes relações de longo prazo com o fragmentado setor hoteleiro e as companhias aéreas. Gostamos da reestruturação em andamento, mas nossa recomendação Neutra reflete, em última análise, os grandes desafios futuros, como o progresso da desalavancagem e o crescimento/competição online.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de CVCB3 (06/10/2026)
Debenturistas da 7ª emissão da CVC Brasil aprovaram por unanimidade alterar a escritura para permitir oferta de resgate antecipado total ou parcial das debêntures. A companhia também pagará waiver fee de 2% flat em 8 de outubro de 2026, elevando o custo da dívida no curto prazo.
Análises de CVCB3 nos últimos 3 meses
A CVC reportou 2T26 fraco e em linha com o esperado, com reservas consumidas consolidadas de R$3,9 bi, alta de 2,3% a/a, sustentadas pelo Brasil, onde as reservas avançaram 7,2% para R$3,1 bi, com B2B em +7,5% e B2C em +6,8%, enquanto a Argentina caiu 13,2% para R$793 mi. Apesar do crescimento de reservas, a receita líquida consolidada recuou 6,5% a/a, para R$320 mi, 2% abaixo das estimativas, pressionada por menor take rate e ambiente mais difícil para viagens, com custos aéreos mais altos e impacto do conflito no Oriente Médio. No Brasil, a receita caiu 4,2% para R$270 mi, com compressão de 100 bps no take rate, sendo -200 bps no B2C e -30 bps no B2B. O EBITDA contábil ficou em R$61 mi, 30% abaixo do 2T25 e abaixo da estimativa de R$72 mi, com margem de 19%, queda de 640 bps; excluindo R$24 mi em itens não recorrentes, o EBITDA ajustado foi de R$85 mi, queda de 8%, com margem de 26,6%, praticamente estável. As despesas recorrentes caíram 6%, e no Brasil as despesas de vendas, gerais e administrativas recuaram 10%, ou 21% sem desligamentos, refletindo reestruturação, revisão de contratos de tecnologia e maior disciplina de custos. Ainda assim, as despesas financeiras líquidas subiram para R$82 mi, e o prejuízo líquido aumentou para R$73 mi, de R$46 mi no 2T25. O fluxo de caixa operacional permaneceu positivo em R$60 mi, com fluxo de caixa livre de R$30 mi após R$30 mi em capex. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$215 mi, com alavancagem de 0,5x, abaixo de 0,9x um ano antes. A administração indicou potencial de redução de custos acima de R$80 mi em 2026, com efeito mais visível a partir do 3T26, mas a recuperação segue condicionada à estabilização de take rates, melhora da conversão de receita e menor pressão financeira. Em um setor ainda pressionado por juros altos, crédito restrito e consumo discricionário fraco, recomenda-se acompanhar a execução da reestruturação e a evolução das reservas no Brasil.
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