A companhia é especializada no varejo de produtos relacionados à constrição civil e opera majoritariamente na região Sul do Brasil, onde tem muito conhecimento local e uma concorrência muito baixa, já que opera em cidades menores. Nos últimos trimestres, a companhia tem apresentado dificuldades devido a um cenário de demanda menor e aos impactos negativos das taxas de juros mais altas em seu negócio de financiamento ao consumidor, e vemos poucos gatilhos de valorização de curto prazo. Apesar da melhoria dos resultados operacionais, o ritmo de recuperação da LJQQ pode ser desacelerado pela perspectiva de altas taxas de juros no Brasil nos próximos trimestres, impactando suas operações varejistas e de financiamento ao consumidor. Do ponto de vista estrutural (positivo), ela combina experiência local, um modelo de negócios comprovado que se encaixa bem com sua sólida expansão nos próximos anos e uma equipe de gestão de qualidade, reforçando nossa visão construtiva de longo prazo sobre a tese.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de LJQQ3 (05/10/2026)
A Lojas Quero-Quero informou que não realizou operações com valores mobiliários e derivativos em setembro de 2026. A posição da tesouraria em ações ON permaneceu zerada no início e no fim do mês, sem impacto direto sobre liquidez ou capital.
Análises de LJQQ3 nos últimos 3 meses
A Lojas Quero-Quero reportou 2T26 com melhora operacional, mas rentabilidade ainda pressionada: a receita bruta consolidada cresceu 10% a/a, para R$835 mi, e a receita líquida 9%, para R$726 mi, com varejo em R$562 mi (+8%) e SSS de 6,7%, sinalizando recuperação gradual da demanda; ainda assim, o EBITDA ajustado pós-IFRS 16 ficou em R$34 mi, alta de 1% a/a, enquanto o EBITDA ex-IFRS 16 foi de R$2 mi, refletindo compressão de margens. A margem bruta consolidada caiu 240 bps, para 26%, com varejo em 22% (-50 bps) e serviços financeiros em 34% (-710 bps), pressionados por maiores provisões, custo de captação mais alto e mix de crédito mais conservador. Em serviços financeiros, a receita bruta avançou 14%, para R$245 mi, e a receita de cartão 11%, para R$28 mi; a carteira de crédito que rende juros atingiu R$1,05 bi (+15% a/a, -1% t/t), enquanto a inadimplência acima de 90 dias subiu para 12,5%, alta de 70 bps t/t e 80 bps a/a, ainda dentro da faixa histórica. As despesas operacionais somaram R$219 mi, queda de 1% a/a, e o resultado financeiro líquido de -R$43 mi veio melhor que o esperado, mas o prejuízo líquido reportado foi de R$51 mi por efeito tributário. A dívida líquida ajustada encerrou o trimestre em R$399 mi, praticamente estável, com alavancagem de 2,9x EBITDA em 12 meses. No pano de fundo, o setor segue exposto a juros elevados, crédito restritivo e famílias com endividamento de 49,8% da renda disponível e serviço da dívida de 29,3%, o que limita a velocidade de recuperação do consumo; por outro lado, cenários de compressão da Selic entre 200 e 490 bps tenderiam a aliviar despesas financeiras e apoiar a demanda. Com gate de valuation nas análises, a ação negociava a R$1,21, com preço-alvo de R$3,50. Para investidores, recomenda-se acompanhar a trajetória da inadimplência, o custo de funding e a conversão da melhora de vendas em margem nos serviços financeiros.
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