Nos últimos anos, afirmamos que, apesar da queda das ações da MGLU, ainda esperamos que ela seja pressionada por: (i) um crescimento mais lento do GMV online, dada sua exposição a categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos, e uma perspectiva competitiva acirrada no canal online; (ii) o impacto das altas taxas de juros nos resultados da Luizacred; e (iii) um alto custo de financiamento para descontar recebíveis, afetando os resultados financeiros e o lucro líquido. Reconhecemos que as taxas de juros mais altas, juntamente com as perspectivas cada vez mais competitivas para o e-commerce, pressionam a receita da empresa, bem como o lucro líquido, mas os últimos trimestres mostraram tendências saudáveis de lucratividade (e geração de caixa), sustentando nossa recomendação de Compra.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de MGLU3 (19/10/2026)
A Magazine Luiza afirmou à CVM que a parceria comercial com a Shopee, junto da Kabum, faz parte de estratégia já divulgada de ampliar vendas em marketplaces. Segundo a companhia, o contrato é não exclusivo, sem investimento relevante ou volume mínimo, e não permite mensurar impacto financeiro material.
Análises de MGLU3 nos últimos 3 meses
A Magazine Luiza reportou 2T26 fraco, com EBITDA ajustado de R$709 mi, margem de 8% e lucro líquido ajustado negativo em R$50 mi, refletindo pressão do e-commerce e despesas financeiras líquidas de R$572 mi, alta de 15,5%; ainda assim, as lojas físicas seguiram resilientes, com SSS de 9,7%, e a margem bruta avançou 10 bps, para 30,6%. Na prévia do 3T26, o BTG projetou GMV online de -9% a/a, melhor que em trimestres anteriores, GMV consolidado de -3% a/a, SSS de 10% e margem EBITDA pós-IFRS16 de 8,1%, com potencial de captura de demanda diante das dificuldades da Casas Bahia. Entre os KPIs, a receita líquida do 2T26 somou R$9 bi, -3% a/a, o GMV consolidado ficou em R$14,5 bi, -5%, o marketplace caiu 12,6% e o 1P, 11,5%; a geração de caixa operacional foi positiva em R$259 mi e o fluxo após capex, de R$104 mi, com capex de R$155 mi. Na Luizacred, o TPV total atingiu R$24,7 bi, +0,6%, a carteira de cartão chegou a R$20,23 bi, +1,8%, e o lucro líquido subiu 33%, para R$135 mi; a inadimplência acima de 90 dias caiu para 7,3%, a de 15 a 90 dias recuou para 2,5%, e a provisão caiu 14%, para R$2,25 bi. Como âncoras, o banco destaca que cada queda de 100 bps na Selic pode elevar o lucro líquido estimado de 2027 em ~19%, enquanto uma alta de 100 bps no custo de capital pode reduzir o valor das ações em ~11%; a companhia também antecipou o pagamento de uma debênture de cerca de R$1 bi, reforçando o balanço para um cenário de juros altos. A tese segue centrada em crescimento omnicanal rentável, ganho de participação com a retração da Casas Bahia e maior peso de serviços, mas em um ambiente ainda marcado por competição intensa de Mercado Livre, Shopee, Amazon e TikTok Shop. Em valuation, a ação foi citada com preço-alvo de R$12,0. Para investidores, recomenda-se acompanhar a trajetória de juros, crédito às famílias e a intensidade competitiva no e-commerce, em um setor cujo P/L mediano de 2027 caiu para 6,5x em um dos recortes setoriais.
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