Reafirmamos nossa visão positiva em relação ao ABC, que continua sendo uma Compra desde que começamos a cobrir o setor em 2008. O banco e sua equipe de gestão têm excelente credibilidade e uma franquia sólida, seguindo consistentemente uma abordagem prudente e consistente. O ABC é naturalmente sensível a ativos como um banco focado em empréstimos de atacado/corporativos. Contudo, maior diversificação e crescimento mais relevante da carteira significam probabilidades razoáveis de proteger/expandir o ROE no próximo ciclo de flexibilização monetária, potencialmente desencadeando uma (bem-merecida) expansão de múltiplos. Também acreditamos que há uma boa chance de o ABC finalmente atingir a marca de lucro líquido anual de R$ 1 bilhão (somos um pouco mais conservadores) – um feito que poucas empresas no Brasil alcançaram.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de ABCB4 (15/10/2026)
O Banco ABC Brasil informou a eleição de Patrick Edouard Abi Habib para o conselho de administração, em vaga aberta por renúncia. A posse depende de aprovação do Banco Central, e o mandato vai até a próxima assembleia geral. A mudança altera a governança, sem efeito financeiro imediato.
Análises de ABCB4 nos últimos 3 meses
No 2T26, o Banco ABC reportou lucro líquido de R$257 mi e ROE de 14,3%, com alta de 12% t/t e 5% a/a, mas 3% abaixo da estimativa do BTG, refletindo receita mais fraca. A margem financeira consolidada somou R$659 mi, alta de 2% t/t e 9% a/a, com NIM estável em 4,1%, enquanto a carteira expandida atingiu R$56,5 bi, +3,7% t/t e +8,3% a/a, puxada por Corporate e Middle Market. Os spreads com clientes subiram ~10 bps, para 3,7%, mas a NII com clientes avançou só 4% t/t, para R$387 mi, e a receita de serviços ficou em R$103 mi, ainda pressionada por menor atividade em DCM. Do lado da qualidade de ativos, o custo de risco caiu para 0,6%, de 0,8% no 1T26, com perdas de R$80 mi, mas a melhora foi ajudada por R$42 mi em recuperações; antes disso, as provisões subiram 4% t/t e 40% a/a, para R$122 mi. A inadimplência acima de 90 dias avançou para 0,6%, de 0,5%, o Stage 3 foi a 2,9%, e a cobertura de NPL recuou para 377%. O CET1 melhorou 45 bps, para 11,9%, após recapitalização, com potencial adicional de ~29 bps via JCP. Em reuniões com a administração, o banco indicou atividade no 3T acima da sazonalidade, com recuperação da demanda por crédito e expectativa de expansão de receitas em mesa de energia, derivativos e DCM, enquanto os spreads corporativos parecem ter parado de cair. A postura segue conservadora, com custo de risco perto de 85 bps, próximo ao topo da faixa de 50–100 bps, e provisões adicionais não alocadas. Para o médio prazo, a expectativa é de ROE de 15–16%, apoiado por crescimento de ~30% em middle market e alavancagem operacional. Em valuation, a ação negocia em ~0,8–0,9x P/VPA, com preço-alvo de R$28. Para investidores, recomenda-se acompanhar a evolução dos spreads corporativos, da atividade em DCM e da qualidade de crédito em um ambiente de juros ainda elevados.
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