Acreditamos que a tese de investimento da Suzano deve gradualmente retornar aos fundamentos, com o fim da tentativa de aquisição da IP, que claramente foi mal-recebida pelo mercado. Embora esperemos que a valorização seja gradual e acreditamos que haverá algum impacto de longo prazo ao múltiplo devido as preocupações com a alocação de capital, acreditamos que a queda nas ações é excessiva. Agora, esperamos que a tese seja impulsionada principalmente por: entrega de projetos (Cerrado, não precificado), alta do câmbio e perspectivas de desalavancagem. A ação está ainda mais barata que antes, negociando em níveis de múltiplo próximos ao mínimo histórico de 5x EV/EBITDA para 2025 (vs. ~7x sendo mais justo em nossa visão). Embora a perspectiva de curto prazo para os preços da celulose seja negativa e uma correção relevante possa ocorrer, notamos que o consenso já desconta isso e que as ações já estão precificando uma curva de celulose com preços abaixo do spot – níveis insustentáveis. Ainda assim, vemos a Suzano entregando um yield de fluxo de caixa livre para o acionista de 12-13%, o que é bastante impressionante.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de SUZB3 (16/10/2026)
A Suzano informou que recebeu comunicação da BlackRock sobre aquisição de participação relevante. A gestora passou a deter 63.242.887 ações ordinárias, incluindo ADRs, equivalentes a 5,003% do capital, além de derivativos de 0,001%. Segundo a gestora, a posição é apenas para investimento, sem intenção de alterar o controle.
Notícias de SUZB3 nas últimas 24h
Nas últimas 24 horas, Suzano apareceu no noticiário como parte do movimento de rotação defensiva observado nas carteiras recomendadas de novembro, em um ambiente de maior aversão a risco no mercado brasileiro. O reposicionamento das casas analisadas passou a privilegiar exportadoras e companhias com receita em dólar, grupo no qual a empresa foi citada ao lado de outros nomes expostos ao câmbio. Esse ajuste ocorreu após a forte queda da bolsa e foi sustentado por um pano de fundo de abertura dos juros longos, dólar em torno de R$ 5,40 e aumento da percepção de risco fiscal, fatores que reduziram o apelo relativo de ações domésticas mais sensíveis a juros. Para Suzano, a leitura implícita é de que a exposição ao mercado externo e a proteção cambial ganharam relevância tática na alocação, em linha com a busca por geração de caixa mais previsível e menor vulnerabilidade ao cenário local. Como a evidência disponível é setorial e de posicionamento de carteiras, sem novos dados operacionais, financeiros ou corporativos específicos da companhia, o principal efeito para o papel nesta janela foi o reforço de sua característica defensiva relativa dentro da bolsa brasileira.
Análises de SUZB3 nos últimos 3 meses
A Suzano reportou 2T26 em linha nas métricas consolidadas, com EBITDA de R$4,7 bi, +3% t/t e -23% a/a, receita de R$11,6 bi e vendas de celulose de ~2,9 Mt, -11% a/a, enquanto o preço médio de exportação subiu para US$601/t; o principal ponto de pressão foi o custo caixa de celulose, em R$972/t, +10% t/t e 6% acima da estimativa, além de EBITDA de papel de R$521 mi, 12% abaixo do esperado. Na leitura setorial e comercial, o mercado de fibra curta mostrou melhora tática, com dois reajustes consecutivos de US$20/t para a China, em setembro e outubro, levando a referência de ~US$580/t para níveis realizados próximos de US$600/t, apoiados por estoques mais baixos, recomposição de demanda, inflação de ~US$50/t no custo de produtores integrados chineses e adiamento do OKI II para 2027. Em capital e balanço, o FCFE do trimestre foi de R$2,4 bi, equivalente a yield anualizado de ~19%, mas com qualidade mista por liberação de capital de giro e derivativos; a dívida líquida ficou em R$66,1 bi e a alavancagem em ~3,3x, com a administração indicando pico no 3T26 e melhora a partir do 4T26 via geração de caixa, menor capex, sinergias e fluxo da JV com a Kimberly-Clark, cuja aquisição de 51% consumiu US$1,3 bi. A Arbex pode elevar EBITDA de ~US$500 mi para US$700 mi em três anos, enquanto nova alocação relevante de capital parece improvável até a alavancagem se aproximar de 2,5x. Para 2027, o quadro segue mais desafiador, com adições de capacidade como OKI II, Sucuriú e expansão integrada chinesa, em um mercado cuja demanda estrutural cresce ~1,0–1,5 Mt/ano. Ainda assim, a companhia segue como uma das principais teses defensivas do setor, pela receita dolarizada, baixa exposição doméstica e sensibilidade cambial: uma depreciação de 10% do real elevaria o EBITDA em ~16%. Com gate de valuation nas análises, SUZB3 negocia a ~5,6x EBITDA 2027 e ~11% de FCFE yield, com preço-alvo de R$72. Para investidores, recomenda-se acompanhar a sustentação da celulose em ~US$600/t e a trajetória de desalavancagem até 2027.
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