Reafirmamos nossa visão positiva em relação ao ABC, que continua sendo uma Compra desde que começamos a cobrir o setor em 2008. O banco e sua equipe de gestão têm excelente credibilidade e uma franquia sólida, seguindo consistentemente uma abordagem prudente e consistente. O ABC é naturalmente sensível a ativos como um banco focado em empréstimos de atacado/corporativos. Contudo, maior diversificação e crescimento mais relevante da carteira significam probabilidades razoáveis de proteger/expandir o ROE no próximo ciclo de flexibilização monetária, potencialmente desencadeando uma (bem-merecida) expansão de múltiplos. Também acreditamos que há uma boa chance de o ABC finalmente atingir a marca de lucro líquido anual de R$ 1 bilhão (somos um pouco mais conservadores) – um feito que poucas empresas no Brasil alcançaram.
Insights BTG Pactual | Resumo do ativo
Último comunicado à mercado de ABCB4 (19/10/2026)
O Banco Central aprovou, em 15 de outubro, a alteração do capital do Banco ABC Brasil para R$ 6.181.781.752,30, conforme deliberações do conselho em junho e setembro. Para o investidor, o ato formaliza a nova estrutura de capital do banco.
Análises de ABCB4 nos últimos 3 meses
No 2T26, o Banco ABC reportou lucro líquido de R$257 mi e ROE de 14,3%, com alta de 12% t/t e 5% a/a, mas 3% abaixo da estimativa do BTG e 2% abaixo do consenso, refletindo receita mais fraca. A margem financeira consolidada somou R$659 mi, alta de 2% t/t e 9% a/a, com NIM estável em 4,1%, enquanto a carteira expandida atingiu R$56,5 bi, +3,7% t/t e +8,3% a/a, puxada por Corporate e Middle Market; os spreads com clientes subiram ~10 bps, para 3,7%, mas a NII com clientes avançou só 4% t/t, para R$387 mi. Em serviços, a receita ficou em R$103 mi, +16% t/t, ainda pressionada por menor atividade em DCM, e as despesas operacionais somaram R$338 mi, com índice de eficiência de 41,2%. Em qualidade de ativos, o custo do risco caiu para 0,6%, com perdas de R$80 mi, ajudado por R$42 mi em recuperações, enquanto a inadimplência acima de 90 dias subiu para 0,6%, o Stage 3 foi a 2,9% e a cobertura de NPL recuou para 377%; o CET1 melhorou 45 bps, para 11,9%, após recapitalização. Nas interações com a administração na CEO Conference 2026, a leitura foi de melhora disseminada da atividade no 3T, acima da sazonalidade, com recuperação da demanda por crédito e expectativa de avanço em mesa de energia, derivativos e DCM; os spreads corporativos parecem ter parado de cair, mas o banco segue conservador, com custo do risco perto de 85 bps, próximo do topo da faixa de 50–100 bps, além de provisões adicionais. Para 2027, a expectativa é de juros ainda altos e balanços corporativos mais pressionados, embora a franquia possa seguir crescendo em ritmo semelhante, apoiada por baixa penetração e expansão de ~30% em middle market. Em valuation, o papel era visto em ~0,8x–0,9x P/VPA, com preço-alvo de R$28 no material que trouxe esse gate. Para investidores, recomenda-se acompanhar a trajetória de spreads corporativos, DCM e qualidade de crédito em um ambiente de juros elevados e possível aperto regulatório sobre crédito mais arriscado.
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