REPORT_INFO.PUBLISHED 05/09/2025 REPORT_INFO.AT 10:08.

Cenário de Câmbio | Setembro 2025

Ícone do ativo Álvaro Frasson

Álvaro Frasson

Ícone do ativo Arthur Mota

Arthur Mota

Vi

Victor Esteves do Amaral

Reprecificação do Fed pressiona o DXY e favorece o real

Internacional: O dólar voltou a apresentar perda de força globalmente (DXY) em agosto, após a divulgação de um Payroll de julho mais fraco do que o esperado. Esse cenário reforçou a percepção de desaceleração no mercado de trabalho, que, embora ainda mantenha relativo equilíbrio entre oferta e demanda, agora opera em um nível mais baixo e, portanto, mais vulnerável. Diante disso, as falas de Powell durante o simpósio de Jackson Hole ampliaram o espaço para a retomada do ciclo de cortes de juros já em setembro. Ao mesmo tempo, ainda que cercados por incertezas, os membros do Fed vêm se mostrando mais inclinados à visão de que o choque inflacionário provocado pelas tarifas tende a ser temporário, não exigindo, portanto, a manutenção dos juros em patamares tão restritivos para conter uma possível inércia inflacionária. Nesse contexto, revisamos nossa projeção para 2025: em vez de apenas um corte, agora esperamos três reduções de 25 bps entre as reuniões do FOMC de setembro e dezembro. Essa reprecificação, caso confirmada, reduz o diferencial de juros favorável ao dólar, o que leva a um enfraquecimento adicional do DXY— movimento já parcialmente precificado ao longo do último mês. No campo institucional, as recentes tentativas de Trump de aumentar sua influência sobre o Fed reforçam a percepção de risco político e incentivam a diversificação global de riscos, contribuindo para a fragilidade do dólar globalmente. Por outro lado, alguns fatores tendem a moderar a velocidade desse enfraquecimento. No campo da política monetária, entendemos que o ECB necessitará realizar uma nova rodada de corte de juros em 2026, levando a taxa de depósito a um patamar considerado acomodatício. Paralelamente, a percepção crescente de risco fiscal na Europa — evidenciada pela moção de confiança na França, marcada para 8 de setembro — amplia a incerteza na região. Nesse contexto, tanto a redução do diferencial de juros entre EUA e Zona do Euro quanto a elevação da percepção de risco soberano europeu atuam como fatores que limitam a queda do dólar. Como resultado dessa nova perspectiva de cenário, marcado pelo embate de forças opostas, entendemos que o resultante mais provável é de uma perda de força adicional do DXY em relação às nossas projeções anteriores, ainda que em intensidade mais limitada, tendência que deve se manter até o final do ano.

Brasil: Nos últimos 30 dias, o real apresentou valorização frente ao dólar, movimento impulsionado principalmente pela perda de força global da moeda norte-americana. No cenário doméstico, os dados econômicos continuam a indicar desaceleração da atividade nos setores cíclicos, o que reforça a credibilidade da política monetária e melhora as expectativas de inflação. Esse quadro contribuiu para a queda da curva DI, que, tudo mais constante, tenderia a reduzir a atratividade do real. No entanto, esse efeito tem sido mais do que compensado pelas crescentes perspectivas de cortes de juros nos Estados Unidos na parte final de 2025. No campo fiscal, avaliamos que a incerteza sobre a aprovação das medidas arrecadatórias pode se configurar como um desafio adicional para a entrega da meta de resultado primário para 2026. Nesse contexto, mantemos nossa projeção para a taxa de câmbio no fim do ano em R$5,60/US$, mas com viés de baixa, refletindo o novo cenário de afrouxamento monetário nos EUA.

Em anexo, o relatório completo

BTG Pactual Macro Strategy

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